segunda-feira, 12 de abril de 2010

Autista, simulação de "jeito normal"


Autista, simulação de "jeito normal"

AMARÍLIS LAGEda Folha de S.Paulo


RESOLUÇÃO POLÊMICA


Movimento diz que autismo não é doença
Problemas de comunicação. Comprometimento da sociabilidade. Alterações comportamentais. Essas são as três principais bases para identificar uma pessoa com autismo - síndrome descrita nos anos 40 que pode se manifestar de formas severas, em que a pessoa parece totalmente alheia ao que se passa ao seu redor, a níveis brandos. Mas e se essas características não constituírem um problema, e sim uma forma diferente de pensar, tão válida quanto qualquer outra?
Para os adeptos de uma nova corrente chamada neurodiversidade, a resposta a essa pergunta é clara. Assim como não há uma cor de pele "certa", afirmam, também não há uma forma "correta" de pensar. O assunto, porém, é polêmico tanto entre parentes de autistas quanto no meio médico.
Há cerca de um mês, o debate chegou oficialmente por aqui, com a criação da primeira entidade voltada à defesa da neurodiversidade no país: o Movimento Orgulho Autista Brasil.
O grupo, que já desenvolvia algumas ações desde o meio do ano passado, integra agora uma rede espalhada por diversos países, especialmente na Oceania e na América do Norte. O termo foi criado nos anos 90 por Judy Singer, especialista em sociologia do autismo. Segundo ela, o conceito não se restringe aos autistas, mas a todas as pessoas que, por qualquer motivo, possuem um padrão diferente de pensamento.
Singer decidiu se dedicar ao tema após observar o surgimento de comunidades virtuais nas quais autistas trocavam experiências e questionavam a forma como eram tratados socialmente. Era a primeira vez, desde a década de 40, quando o autismo e a síndrome de Asperger (um tipo mais brando de autismo) foram descritos cientificamente, que essas pessoas --notadamente conhecidas por terem dificuldades para se relacionar-se mostravam capazes de criar uma rede social para defender seus próprios interesses.
"Quatro aspectos principais permitiram que isso acontecesse", disse Singer à Folha. O primeiro foi o surgimento de outro movimento que buscava direitos iguais: o feminismo. "O feminismo deu às mães a autoconfiança necessária para mudar a idéia de que o autismo era causado por mães que criavam mal seus filhos", diz Singer.
Outro fator foi a ascensão dos grupos de defesa de pacientes, aliada à diminuição da autoridade dos médicos --que demoravam a diagnosticar o problema. Tudo isso foi acelerado pela internet. "Ela permitiu que as pessoas trocassem informações livremente, sem a mediação feita por médicos."
Ao mesmo tempo, o crescimento de movimentos políticos formados por pessoas com diversos tipos de deficiência estimulou alguns adultos autistas a pesquisar sobre a auto-representação.
A popularização da internet, mais uma vez, teve um papel fundamental nesse processo. "Foi o que permitiu o movimento de auto-representação dos autistas, pois é a "prótese" essencial --algo que os transforma de indivíduos introvertidos e isolados em uma rede de seres sociais, o que é um pré-requisito para uma ação social efetiva, e em uma voz na arena pública", afirma Singer.
Um desses primeiros grupos foi a ANI (Autism Network International), que surgiu, em 1992, entre autistas da Austrália e dos Estados Unidos. De acordo com Jim Sinclair, coordenador da rede, a idéia surgiu porque os autistas não se sentiam totalmente confortáveis nas comunidades sobre o assunto criadas por especialistas e familiares de autistas.
Afinal, aquelas pessoas, por mais interessadas que fossem no tema, eram "neurotípicas" --termo criado por autistas para definir quem tem um desenvolvimento neurológico considerado normal.
Entre outras diferenças, diz Sinclair, as comunidades "neurotípicas" queriam proteger os autistas, enquanto os próprios autistas buscavam liberdade para correr riscos.
Ao longo dos anos, outros grupos foram criados, assim como sites disseminando a neurodiversidade --entre eles, o www.autistics.org, em que há um link para o falso e divertido Institute for the Study of the Neurologically Typical, que brinca com as características dos "neurotípicos".
Ali, o comportamento "normal" é ironicamente considerado "um distúrbio neurológico caracterizado pela preocupação com normas sociais". Além disso, satiriza o site, "pessoas 'neurotípicas' freqüentemente acham que a forma como vivenciam o mundo é a única correta, têm dificuldades para ficar sozinhos e são intolerantes com as diferenças".
Anticura - Seja em tom bem-humorado ou não, a mensagem divulgada por esses grupos costuma ser a mesma: que o autismo é uma diferença, não uma doença. Ativistas mais radicais levam a idéia de neurodiversidade além. Defendem que remédios e terapias alteram a subjetividade única do autista e criticam o que consideram uma prescrição excessiva de drogas para controlar o comportamento.
Na contramão, surgiram organizações como a "Cure Autism Now" (cure o autismo agora), que afirma já ter destinado US$ 31 milhões a pesquisas voltadas a evitar ou reverter quadros de autismo.
De acordo com o psiquiatra Marcos Tomanik Mercadante, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), características pessoais passam a ser consideradas doenças quando levam a uma dificuldade de adaptação. "Parte do conceito [da neurodiversidade] é correta. Os autistas têm um cérebro diferente, e isso não é, necessariamente, uma patologia. Mas a maioria deles não consegue conduzir a própria vida. É um modo de ser no mundo; mas, neste mundo, um modo desfavorável."
Para a presidente da Associação Brasileira de Autismo, Marisa Silva, o risco da visão anticura é desestimular a realização de tratamentos que podem melhorar a qualidade de vida dos autistas.
"Uma criança com autismo leve que não for trabalhada terá, quando adulta, tantos problemas quanto um autista que era muito comprometido na infância. É um problema sério, não um modo de ser", diz ela, que tem um filho autista. "Jamais diria que é o jeito dele. Ele é muito comprometido. Gostaria que houvesse uma cura."
"Se minha filha fosse curada, ela não seria a Natália", diz Eliana Boralli, mãe de uma jovem autista de 20 anos e fundadora da Associação dos Amigos da Criança Autista. Ainda assim, afirma, gostaria de ter a oportunidade de dar à filha a opção de ser ou não autista.Autistas usam remédios para controlar aspectos da doença
Não existe uma medicação específica para autismo, mas muitas pessoas com esse diagnóstico tomam remédios para controlar aspectos como irritabilidade e problemas de sono.
Para Judy Singer, os remédios só devem ser administrados para aliviar sofrimento, "mas não para mudar as pessoas para que elas se encaixem em idéias limitadas sobre o que um ser humano deveria ser".
É uma opinião parecida com a de Fernando Cotta, presidente do Movimento Orgulho Autista Brasil. "As pessoas precisam respeitar o autista. Isso não significa excluir a possibilidade de uma medicação. Se ele tiver problema de atenção, pode tomar algo que possa ajudá-lo, assim como quem tem gripe toma antigripal."
Instituições flexíveis - Judy Singer defende que algumas questões podem ser resolvidas sem remédios. "Vamos supor que uma criança autista seja muito irritável. Por que isso ocorre? Não será porque o ambiente escolar rígido não permite que ela se encaixe?"
As instituições, diz, devem se tornar mais flexíveis à inclusão de autistas. As escolas, por exemplo, deveriam adotar um modelo que reconheça múltiplas inteligências. "Essa variedade não é uma grande exigência e já existe na Austrália", diz.
Valeria Paradiz criou, nos Estados Unidos, a Aspie, uma escola voltada para crianças autistas. "Aspies" também é o apelido pelo qual alguns portadores da síndrome de Asperger se identificam. Defensora de uma visão "não patológica" do autismo, ela diz que a luta pela neurodiversidade se assemelha a qualquer movimento por direitos civis e que a sala de aula é um dos melhores lugares para ensinar essas crianças a exigir respeito às suas diferenças.
"Aqui, elas começam a aprender os principais elementos da experiência autista, percebem que a forma como o autismo é retratado varia muito e que a própria perspectiva delas é tão válida quanto a de especialistas e qualquer outra."
Para Kika Feier Goulart, mãe de Cibele, que tem 13 anos e é autista, a inclusão escolar é um dos principais desafios no Brasil. "Eles são muito visuais, e os professores não se esforçam para adaptar a aula a essa necessidade. Além disso, ou esperam demais dela, porque há o mito de que todo autista é um gênio, ou esperam menos do que ela pode oferecer."
O outro lado - Uma crítica feita aos grupos que pregam a auto-representação e a anticura é que eles não se referem a todos os autistas, mas apenas àqueles que têm síndrome de Asperger.
Casos de autistas famosos e bem-sucedidos, como a PhD em ciência animal Temple Grandin, ressaltam, são a exceção, não a regra. Estima-se que 70% dos autistas tenham algum tipo de retardo mental. Esse dado vem sendo questionado, pois se acredita que os testes aplicados não eram capazes de contemplar as capacidades dos autistas. Mas muitos pais relatam problemas intelectuais sérios nos filhos.
A crítica vem até de Singer. "Não concordo com pessoas que são obviamente autistas de alta capacidade e alegam falar por 'todos' os autistas", diz. A mãe e a filha de Singer têm a síndrome, e ela criou o primeiro grupo de apoio para pessoas com pais autistas do mundo.
"Nunca tive medo da idéia de que há um lado ruim para a diferença neurológica", diz ela, que acha que autistas não são capazes de criar os filhos sozinhos. "Fomos muito atacados por representantes autistas, que não conseguem lidar com essa idéia. Para mim, a neurodiversidade inclui um quadro realista de prós e contras. Há aspectos do autismo que causam sofrimento, e seria ótimo se isso pudesse ser curado. Mas não acho que exista uma cura capaz de tirar os aspectos negativos e reter a diversidade genética da humanidade."
Não há uma perspectiva de cura para o autismo, pois ainda sequer se sabe o que o causa. Algumas hipóteses já foram descartadas pela ciência, como a "culpa" dos pais na criação dos filhos e a ação de vacinas, diz o psiquiatra Mercadante. Os estudos atuais são voltados ao papel da herança genética e de alguns fatores ambientais.
O que se sabe é que os cérebros de autistas são diferentes em três áreas principais: a amígdala, ligada à emoção e ao comportamento social, o giro fusiforme e o sulco temporal superior. As duas últimas costumam ser ativadas quando se olha para a face de alguém ou se escuta uma voz humana. Os autistas, ao verem ou ouvirem alguém, ativam outra área, responsável pela identificação de objetos.
O autismo costuma aparecer antes dos três anos --nessa idade, diz Mercadante, há uma "poda neural" que reestrutura o cérebro. Suspeita-se que, nos autistas, essa "poda" seja diferente, alterando alguns circuitos cerebrais. Por isso, crianças autistas podem regredir e até parar de falar nessa idade.
Foi o que aconteceu com Natália Boralli. "Ela ficou quase um ano e meio sem falar nada", lembra a mãe dela, Eliana. Até que, no aniversário de três anos da filha, ela a levou a uma loja de artigos para festa e deixou Natália livre para observar tudo. A menina ficou encantada com os enfeites da boneca Moranguinho, e Eliana decidiu decorar a casa com o tema, esperando vencer um pouco a barreira emocional do autismo.
"Coloquei tudo ao redor dela e disse: 'Isso é para você, porque é seu aniversário e eu te amo'. Então, ela, que nunca fixava o olhar em nós, me olhou por cinco segundos e disse 'mã'."
Para autista, simulação de "jeito normal" é prejudicial
Jim Sinclair,44, é autista, tem formação universitária em psicologia e é especialista em desenvolvimento infantil e processos de reabilitação. Nos anos 90, participou da criação de um dos primeiros grupos formados por autistas, a Autism Network International (ani.autistics.org), e se tornou um dos mais conhecidos ativistas pela defesa dos direitos dessas pessoas. Leia a seguir a entrevista concedida à Folha.


FOLHA - Quais são as diferenças entre um grupo formado por especialistas e parentes e um formado pelos próprios autistas?


JIM SINCLAIR - Eu diria que grupos de pais e especialistas têm uma maior tendência a ter objetivos "protetores" (trabalhar para nos manter em segurança), enquanto os grupos formados por autistas para eles mesmos tendem a ter metas mais relacionadas a direitos e liberdade, mesmo quando isso envolve correr riscos. A maior diferença reside no simples fato de um grupo ser dirigido "para" pessoas autistas, e outro, "por" pessoas autistas. Imagine um grupo destinado a promover os direitos das mulheres que fosse criado e dirigido por homens. Isso serviria? Você consegue imaginar um motivo pelo qual um grupo de mulheres não deva ser dirigido por elas? Que mensagem esse grupo transmitiria sobre a capacidade de as mulheres fazerem as coisas por conta própria?


FOLHA - Você critica as estratégias para ensinar os autistas a "simular" um comportamento social normal. Não é útil para os autistas saber como se comunicar com as outras pessoas?

SINCLAIR - Claro que é. E também seria útil para as outras pessoas saber como se comunicar conosco. Mas isso não é o mesmo que exigir uma simulação tão perfeita que torne impossível nos distinguir dos "neurotípicos". Suponha que, em vez de tentar entender o que você diz, eu me recusasse a responder suas perguntas a menos que você dominasse a língua inglesa como uma nativa e sem sotaque. Suponha, além disso, que eu diga que, para se comunicar com quem fala inglês, você tenha de parar de falar português, de se relacionar com quem fala português e até de pensar em português. Suponha que eu tentasse convencê-la de que o português é inferior ao inglês, de que você teria uma vida inexoravelmente vazia sem dominar inglês e de que você deveria se envergonhar se algum dia for vista falando português. Isso é semelhante ao que os "neurotípicos" fazem quando ensinam "habilidades sociais" a autistas.

FOLHA - Quais são as principais características da cultura autista?

SINCLAIR - Não há uma única cultura autista, assim como não há só uma cultura "neurotípica". Posso falar sobre a que evoluiu com a ANI, mas podem haver outras. Na ANI, há práticas como o respeito à hipersensibilidade sensorial dos autistas e outras envolvendo ecolalia (repetição da fala do outro). Há ainda certas tradições como o uso dos Interaction Signal Badges [crachás com dados sobre cada um, como hipersensibilidade a cheiros fortes ou a flashes fotográficos].

FOLHA - A ANI foi criada por autistas que se encontraram numa lista de discussão. Essa rede pode incluir aqueles que não têm as mesmas habilidades verbais?

SINCLAIR - Sim. Há pessoas com menos habilidade verbal que vêm para a Autreat (conferência anual da ANI) e se divertem muito. É difícil incluir pessoas que não são verbais em redes que ocorrem on-line, já que o e-mail é um meio verbal. Mas, quando há uma chance de os autistas ficarem juntos ao vivo, é definitivamente possível que eles participem também.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.Com Informações da Folha de São Paulo.Repórter AMARÍLIS LAGE.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Meu orgulho


Hoje eu recebi a diagnóstia do Breno que ele realizou em março. Breno tirou 10 em tudo. 10 Em matemática, 10 em português, 10 em História e Geografia, 10 em ciências.


terça-feira, 6 de abril de 2010

Tony Attwood entrevista Temple Gradin

Tony Attwood entrevista Temple Gradin
Tradução de Mônica Accioly
Este artigo foi publicado na edição de Janeiro-Fevereiro de 2000 do Autism Asperger’s Digest publicação de Future Horizons.
Para mais informações :http://www.autismdigest.com/ Ed. Note: Esta entrevista foi gravada em 9 de dezembro de 1999, num seminário em São Francisco, California. A audiência adorou quando Temple revelou alguns fatos muitas vezes engraçados de sua vida pessoal. Ver Temple rir de si mesma foi uma oportunidade rara... Divirta-se!



A autobiografia de Temple Grandin’s, Emergence: Labeled Autistic e seu livro subsequente, Thinking in Pictures, juntos contém mais informações e insights sobre o autismo do que qualquer livro que eu tenha lido. A primeira vez em que a ouvi falar, pude imediatamente perceber sua maneira direta de ser. Toda a audiência foi cativada por seu conhecimento.Fiquei feliz ao ser convidadpo para entrevistar Temple, já que me proporcionou uma oportunidade de pedir seu conselho sobre tantas questões. Ela é uma pessoa extremamente afetuosa e a entrevista em São Francisco reuniu uma audiência de mais de 300 pessoas. Ao final, o aplauso foi longo e entusiasmado. Temple é minha heroína. Ela tem o meu voto como a pessoa que proorcionou o maior avanço em nossa compreensão sobre o autismo, neste século. Dr. Tony Attwood



Tony: Temple, você foi diagnosticada como autista aos quinze anos de idade. Como os seus pais contaram a você e como você se sentiu com esta notícia?



Temple: Bem, eles nunca me explicaram muito bem. Eu meio que descobri através de minha tia. Você tem que lembrar que eu tenho 53 anos e aquela era uma era freudiana, uma época muito diferente. Na verdade, eu fiquei aliviada quando descobri que havia algo de errado comigo. Pude entender porque eu não me entrosava com o pessoal da escola e porque eu não entendia algumas coisas que os adolescentes faziam – como minha colega de quarto que gritava quando via os Beatles num show de televisão. Eu pensava, é...Ringo é bonito mas eu não rolaria no chão por ele...



Tony: Então, atualmente, se você precisasse explicar para um jovem de 14 ou 15 anos : você tem autismo ou Síndrome de Asperger, como você diria?



Temple: Eu acho que eu diria para ele ler o meu livro ou o seu... Bem, eu provavelmente explicaria de maneira técnica, que é um atraso no desenvolvimento do cérebro que interfere com a interação social. Eu sou basicamente uma pessoa técnica – este é o tipo de pessoa que eu sou. Eu quero consertar as coisas. Com a maioria das coisas que eu faço, eu tenho a visão do engenheiro. Minhas emoções são simples. Eu tenho satisfação ao realizar um bom trabalho. Eu tenho satisfação quando um pai chega e me diz ”li seu livro e ele realmente ajudou meu filho na escola”. Eu tenho satisfação como o que eu faço.




Tony: Parece que quando você era muito peqena e muito autista, você gostava de alguns comportamentos autísticos. Quais eram eles?



Temple: Uma das coisas que eu fazia era deixar a areia escorrer entre os meus dedos , observando e estudando cada partícula como um cientista através de um microscópio. Quando eu fazia aquilo eu me desligava do mundo. Sabe, eu acho que é legal uma pessoa autista fazer isso às vezes porque é calmante. Mas se fizer todos os dias, não vai se desenvolver. As pesquisas de Lovaas mostraram que as crianças precisam estar conectadas com o mundo por 40 horas semanais. Eu não concordo que estas 40 horas precisem ser cumpridas sentada à mesa. Mas eu ficava conectada por 40 horas semanais. Eu tinha uma hora e meia de “Moça Educada”, quando eu precisava me comportar às refeições. A babá brincava comigo e com minha irmã uma série de brincadeiras e jogos infantis. Eu tinha atendimento fonoaudiológico todos os dias... estas coisas foram muito importantes para o meu desenvolvimento.



Tony: Ainda há pouco você usou a palavra “calmante”. Um dos problemas de algumas pessoas com Autismo ou Asperger é controlar seu humor. Como você controla o seu?



Temple: Quando eu era criança, se eu tivesse uma “crise de birra” na escola, minha mãe apenas dizia: “Você não vai assistir TV esta noite.” Eu freqüentava uma escola regular – 12 crianças na turma. Havia uma parceria entre escola e casa. Eu sabia que não podia jogar minha mãe contra meus professore ou vice-versa. Para mim, bastava saber que se eu tivesse uma crise , não assistiria meu programa favorito naquela noite. Quando eu estava no ginásio e as crianças implicavam comigo, eu entrei em brigas sérias. E fui expulsa da escola - não foi nada agradável. Mais tarde, quando entrei em brigas no colégio interno, eles cortaram a equitação. E como eu queria andar a cavalo nunca mais briguei. Foi simples assim.



Tony: Mas, cá entre nós, com quem você brigava? Você ganhava?



Temple: Bom... eu geralmente ganhava...



Tony: Você lutava com meninos ou meninas?



Temple: Tanto faz – quem implicasse comigo.



Tony: Então você batia nos meninos...



Temple: Ah, eu me lembro uma vez que dei um soco mum menino na lanchonete... Quando a briga acabava, eu chorava. Era a minha maneira de aliviar a tensão. É o que acontece agora, eu só choro, para prevenir as brigas. Eu também evito situações onde as pessoas começam a se irritar. Eu me afasto.



Tony: Eu gostaria de fazer uma pergunta técnica. Se você tivesse $10 milhões para pesquisa , você apoiaria pesquisas em andamento ou investiria em uma nova área?



Temple: Uma das áreas onde eu gastaria este dinheiro seria para tentar descobrir o que causa os problemas sensoriais. Eu sei que não é o déficit central do autismo, mas é algo que dificulta muito o funcionamento das pessoas com autismo.Uma outra coisa ruim, especialmente para as pessoas de alto funcionamento, é que quanto mais velhos, mais ansiosos. Mesmo tomando Prozac ou outra coisa, são tão ansiosos que é muito difícil “funcionar”. Gostaria que houvesse uma outra maneira de controlar isso que não fosse dopá-los completamente. Então levantaríamos questões como, deveríamos prevenir o autismo? Fico preocupada com isso porque se eliminássemos totalmente os gens que causam o autismo, estaríamos eliminando muitas pessoas talentosas, como Einstein. Eu acho que a vida é um contínuo – do normal para o anormal. Afinal, as pessoas realmente sociais não são as mesmas que desenvolvem os computadores, ou as plantas de instalações elétricas, ou constroem enormes hotéis, como este. As pessoas sociais se ocupam interagindo.



Tony: Então você não usaria a verba para acabar com a Síndrome de Asperger. Você não a vê como uma tragédia?



Temple: Bem, seria bom acabar com o que causa a deficiência severa, se houvesse uma maneira de preservar alguns traços genéticos. Mas o problema é que existem uma porção de genes diferentes interagindo. Se você recebe poucos traços, é bom, mas se são muitos, é ruim. Parece que depende do funcionamento genético. Aprendi trabalhando com animais que quando os criadores selecionam um determinado traço, outros traços ruins vêm junto. Por exemplo: na avicultura, selecionaram engorda rápida e muita carne, mas tiveram problemas porque o esqueleto não era forte o suficiente. Então criaram um esqueleto forte. E tiveram uma grande e desagradável surpresa, com que não contavam : acabaram com galos que atacavam e matavam as galinhas. Porque as pernas mais fortes acabaram com o comportamento normal do galo durante a corte. Quem poderia prever este problema ? É assim que a genética funciona.


Tony: Temple, uma das suas características é que você faz as pessoas rirem. Acho que às vezes não é a sua intenção, mas você tem esse dom. O que te faz rir? Como é o seu senso de humor?



Temple: Bem , prá começar, meu senso de humor baseia-se no visual. Quando eu estava te falando das galinhas, eu via imagens. Uma vez eu estava no departamento de conferência na universidade e havia fotos dos diretores antigos, em molduras de madeiras, pesadas e grossas. Olhei para elas e pensei: “Oh, galos emoldurados!”Numa outra reunião na faculdade, quando eu olhei para elas tive vontade de dar uma gargalhada. Isto é humor visual.



Tony: Isto explica porque ás vezes você cai na gargalhada e as outras pessoas não fazem a menor idéia do que está acontecendo...



Temple: É isso mesmo, eu estou vendo uma imagem mental de algo que é engraçado...



Tony: Sobre a sua família: sua mãe foi muito importante na sua vida. Que tipo de pessoa ela era? O que ela fez, pessoalmente, que te ajudou?



Temple: Para começar, ela não me internou. É preciso lembrar que isto foi há 50 anos e todos os profissionais recomendaram que eu fosse internada. Minha mãe me levou a um neurologista muito bom que recomendou fonoaudiologia e jardim de infância. Isto foi um golpe de sorte. Era um Jardim na casa de duas professoras, que sabiam como trabalhar com crianças. Eram seis crianças e nem todas eram autistas. Minha mãe também contratou uma babá, quando eu tinha três anos, que tinha experiência com crianças autistas. Eu tenho a impressão que ela mesma talvez fosse Asperger porque em seu quarto havia um banco de automóvel, retirado de um jeep velho – era sua cadeira predileta...



Tony: De que outra maneira a pessoa que a sua mãe era te ajudou?



Temple: Bem, ela trabalhava muito comigo. Encorajava meu interesse por artes, desenhando comigo. Ela havia trabalhado como jornalista, num documentário sobre pessoas com retardo mental e num outro programa para TV sobre crianças com distúrbios emocionais. Como jornalista ela havia visitado muitas escolas. Então quando eu me meti em confusão na nona série, por ter jogado um livro numa menina – eu fui expulsa e tivemos que encontrar outra escola . Ela encontrou um colégio interno que havia visitado como jornalista. Se ela não tivesse feito isso por mim, eu não sei o que teria acontecido. Quando eu cheguei lá, foi que eu encontrei pessoas como meu professor de Ciências e minha tia Ana, lá no rancho, que foi outra mentora importante para mim. Mas muitas pessoas me ajudaram pelo caminho.



Tony: E o seu pai? Descreva seu pai e seu avô.



Temple: Meu avô por parte de mãe inventou o piloto automático para aviões. Era muito tímido e quieto. Não era muito sociável. Do lado da família do meu pai , a gente encontra problemas de humor. Ele não achava que eu chegaria muitolonge. Também não era muito sociável.



Tony: Como você relaxa? Como se acalma no final do dia?



Temple: Antes de tomar medicação, eu costumava assistir Jornada nas Estrelas. Era fã. Uma coisa que eu gostava, especialmente nas séries antigas, eram os princípios morais. Fico preocupada hoje em dia com a violência. O problema com os filmes não é o número de armas , mas é que o herói não tem valores morais positivos. Quando eu era criança o Super Homem ou o Cavaleiro Solitário nunca faziam nada que fosse errado. Hoje, o herói faz coisas como jogar a mulher na água ou permite que ela leve um tiro. O herói deveria proteger.Atualmente você não tem valores bem definidos. E isto me preocupa porque minha moral é determinada pela lógica. E não sei quais seriam os meus valores se eu não tivesse assistido todos aqueles programas com princípios morais tão bem definidos.



Tony: Como você acha que estará a nossa compreensão do a utismo daqui a cem anos?



Temple: Ah, não sei... A engenharia genética provavelmente estará muito avançada e teremos um programa Windows 3000 “Faça uma pessoa”. Eles saberão ler o código DNA até lá, o que não se faz hoje. Os cientistas podem manipular o DNA – tirar ou por – mas não podem ler as cadeias. Daqui a cem anos eles farão isto. E eu acredito que ao menos os casos severos de autismo desaparecerão porque seremos capazes de manipular totalmente o DNA.



Tony: Atualmente existem algumas autobiografias de pessoas com Autismo ou Sídrome de Asperger. Quais são os seus heróis no campo do Autismo ou Síndrome de Asperger, pessoas que tem estes diagnosticos?



Temple: Eu admiro as pessoas que alcançam sucesso. Há uma senhora chamada Sara Miller que programa computadores industriais. Hoje há outra senhora aqui, muito bem vestida, que conduz seu próprio negócio de jóias, e me disse ter Asperger. Pessoas assim são meus heróis. Alguém que se supera e vai lá e realiza coisas.



Tony: E quanto às pessoas famosas da história, quem você diria ter Autismo ou Síndrome de Asperger?



Temple: Penso que Einstein tinha uma série de traços autísticos. Ele não falou até os três anos de idade – eu escrevi todo um capítulo sobre ele no meu último livro. Acho que Thomas Jefferson também tinha uns traços Asperger. Bill Gates tem uma memória fantástica. Li um artigo em que o autor cita que em criança ele memorizou todo o Torah. É um contínuo. Não há uma linha divisória entre o fanático por computador e , digamos, uma pessoa asperger. Eles se misturam. Por isto, se você acabar com os gens que causam o autismo, talvez haja um alto preço a ser pago. Anos atrás, um cientista em Massachusetts disse que se você acabasse com todos os gens que causam os distúrbios sobrariam apenas os burocratas ressequidos!



Tony abriu a entrevista para a audiência Uma das melhores:Como você percebeu que tinha o controle de sua vida?




Temple: Eu não era uma boa aluna na época do ginásio. Eu ficava com a cabeça no mundo da lua. Por pensar visualmente, precisei usar portas como um simbolismo – uma porta material que eu atravessava – simbolizando a minha passagem para a próxima fase da minha vida. Quando você pensa visualmente e não possui muitas experiências anteriores no disco rígido, você precisa ter algo para usar como mapa visual. Meu professor de Ciências conseguiu me motivar em diferentes projetos e eu percebi que se quisesse entrar na faculadde e me tornar uma cientista teria que estudar. Bem, um dia eu atravessei essa porta e disse “ OK, eu vou tentar prestar atenção na aula de Francês.”Mas houve um momento em que eu percebi a necessidade de fazer algo sobre o meu comportamento. E vivi situações que não foram nada fáceis. Alguns mentores me forçaram - e isto nem sempre foi agradável – mas eles me forçaram a perceber que eu precisava mudar o meu comportamento. Eu não podia continuar a ser uma inútil. Eu precisava mudar aquilo. Acho que li num dos primeiros artigos sobre o autismo, de Kanner, que a pessoa autista que finalmente alcança o sucesso, percebe que precisa trabalhar ativamente o seu comportamento. Não adianta ficar sentado reclamando das coisas. É preciso tentar mudar as coisas. Bons mentores podem te ajudar a fazer isso.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Atividades aquáticas

Sem esforço e exercícios repetitivos, as crianças com dificuldades motoras ganham mais movimento brincando na água

Lélia Chacon e colaboraram Deborah Kanarek, Fernanda Portela, Malu Echeverria, Mônica Brandão e Patrícia Cerqueira


Quando vê uma piscina, Nathalie Bruna, 4 anos, inclina a cadeira de rodas e mostra que quer cair na água. Ela tem paralisia cerebral e não fala. Há um ano e meio começou a fazer hidroterapia na Associação de Assistência à Criança Deficiente, AACD, em São Paulo. Desde então, esta é sua atividade favorita. "Na água minha filha fica relaxada e consegue fazer mais do que fora dela", comprova a mãe, Priscila Eliane dos Santos. Nathalie aprendeu a sustentar o pescoço, a fazer mais movimentos, como mexer as pernas, e deu fim às suas pneumonias constantes, causadas por problemas respiratórios. "Antes ela só movimentava os olhinhos", conta a mãe."No meio líquido, em temperatura de 34 graus, a criança fica mais relaxada e tem menos espasmos. Isso facilita o alongamento dos músculos retraídos", explica o diretor-clínico da AACD, o ortopedista Antonio Carlos Fernandes. Explica-se: fora da água, a musculatura das crianças com deficiência física pode se tornar muito rígida, o que as impede de fazer determinados movimentos. No meio líquido, a criança fica com seu peso reduzido e tem mais impulso. Isso acontece por causa da força de empuxo da água, que impulsiona o corpo de baixo para cima, contra a gravidade, e provoca a flutuação. A hidroterapia, entretanto, não exclui a fisioterapia clássica. "Na reabilitação física a terapia na água complementa a fisioterapia", alerta.
Adaptação e brincadeiras
"A criança parcialmente imersa tem o seu peso diminuído em até 90%. Com a hidroterapia é possível realizar movimentos até de marcha para quem tem paralisia cerebral", afirma o fisioterapeuta Jorge Moura, do Centro Integrado de Reabilitação e Terapia Aquática (Cirta), no Rio de Janeiro. Moura lembra que é no líquido amniótico, ainda dentro do útero materno, que o bebê realiza seu primeiro movimento ao levar o dedo à boca. Depois que nasce, com a força da gravidade, a criança demora a ter movimentos e começa a desenvolver reflexos. "É na água que os movimentos começam. Por isso esse é o meio ideal para que a criança possa aprender ou reaprender alguns movimentos perdidos", atesta. Na água, a criança também trabalha os movimentos por meio de brincadeiras e jogos. "Esse é o conceito Halliwick, uma técnica que trabalha funções motoras do dia-a-dia de maneira natural sem exercícios forçados, repetitivos e cansativos", define Moura. Há um período de adaptação para quem começa a hidroterapia. A mãe entra na piscina com o filho até que ele se acostume à água e ao profissional que orientará seu tratamento. Em seguida, ele aprende a se apoiar apenas no professor. Aos poucos a criança se solta e consegue flutuar sozinha. Ramon Pereira de Freitas, 12 anos, faz terapia no Cirta há quatro anos como forma de retardar a evolução de uma doença progressiva que possui, a distrofia muscular. "Na idade que meu filho tem, se não fizesse hidroterapia ele já poderia estar na cadeira de rodas", afirma a mãe, Liliana Pereira de Freitas. Para Ramon, além de ser uma diversão, fazer movimentos na água é menos dolorido.
Corpo e mente
Uma outra, e não menos importante, vantagem é que ela faz muito bem à auto-estima dos que têm algum tipo de deficiência. "O aumento da confiança, da autonomia e a integração com outras crianças são ganhos evidentes", diz a orientadora de Educação Física Maria das Graças Buso, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), em São Paulo. Ela explica que crianças com síndrome de Down utilizam a hidroterapia para fortalecer a musculatura flácida, melhorar a coordenação motora e a respiração que é feita pela boca. Nadar não é o objetivo principal dessa terapia, mas, se a criança demonstra habilidade, pode até participar de competições. É o que se chama reabilitação desportiva. "Dependendo da evolução da criança, quando é possível, ensinamos a nadar", diz o diretor-clínico da AACD, uma das pioneiras em oferecer a natação para bebês com deficiência. Por não terem a parte física tão comprometida, as crianças com Down podem se tornar exímios nadadores, e ganhar medalhas, um enorme benefício para quem enfrenta tantos desafios no dia-a-dia.J Piscina adaptada A piscina e o ambiente fora da água aquecidos a 34 graus, em média, são fundamentais para que a musculatura da criança fique relaxada. O piso deve ser antiderrapante, as bordas da piscina elevadas e as escadas adaptadas. "Para obter bons resultados no tratamento, não adianta apenas ter uma piscina. É preciso oferecer equipamentos adequados, além de profissionais capacitados", afirma o fisioterapeuta Jorge Moura. Alguns profissionais usam os flutuadores como apoio para a criança. Moura não utiliza, pois acredita que o único apoio para a criança na água deve ser o especialista. Com o tempo, a criança vai se soltando na água até conseguir flutuar sozinha.
Serviço Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae -SP) % (11) 5080-7000 www.apaesp.org.br Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) % (11) 5576-0777 www.aacd.org.br Centro Integrado de Reabilitação e Terapia Aquática (Cirta), % (21) 2495-5871 http://www.cirta.com.br/

domingo, 4 de abril de 2010

PÉROLAS DO BRENO - PARTE 14


Ontem minha mãe cortou o cabelo do Breno. Ele não queria muito, mas...

DEpois ele estava de frente pro espelho e escutei quando ele esstava se admirando e disse:


- É, pensando bem eu fiquei muito bonito assim.


Logo depois formos deitar para dormir e ele me deu um boa noite diferente.


- Buenas noches!

- Buenas noches Breno. Fala assim Buenas noches madrecita, que é boa noite mãenzinha.

- Buenas noches madreci..ai não sei

- Então fale Buenas noches madre

- Buenas noches madre

-Buenas noches mi hijo

- Good nigth mother

- good nigth my son

- mãe como é boa noite em frances?

- Não sei filho. Só sei que bom dia é bonju

- Bonju,rsrsrsrsrs


Depois ele começou a cantar em espanhol, falou outras palavras, tava um tagarela poliglota,rsrsrsrs.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

HOJE É O DIA!


Hoje é o dia Mundial da conscientização do autismo. Para nós mães essa conscientização é todo dia. Nossa luta é diária. Dias árduos, dias felizes, enfim, uma montanha russa de emoções.

Penso que nós pais devemos ser agentes transformadores e motivadores, seja na escola, na igreja, na rua, em qualquer grupo social.

Meu filho tem feito grandes progressos e isso me deixa muito feliz. Ainda temos muitos degraus a serem conquistados, mas eu nunca vejo o diagnóstico e sim o prognóstico de que Breno será um adolescente, um adulto capaz.

Breno foi um bebê normal como outro qualquer. Muito sorridente, fazia contato ocular, não estranhava niguém, mas um bebezinho hiperativo,rsrsrs. Escala nosso colo como quem escala uma montanha. Andou antes de completar 1 ano e balbulciava desde os 4 ou 5 meses.


A partir de 1 ano é que seu comportamento foi mudando. Já era mais arredio a colo, passou a estranhar as pessoas, não fazia contato visual.....
Nenhum pediatra descobria o que meu filho tinha. Só diziam que era falta de escola. Quanto tempo perdido!


O primeiro neuro que levei meu filho suspeitou de "pré-autismo" ou Gênio. É óbvio que a GENIALIDADE foi a palavra que mais gostei de ouvir, até porque eu nunca tinha ouvido falar de autismo, pra mim autismo e mongolóide era a mesma coisa.
Outro disse que autismo era impossível, que ele tinha uma imaturidade cerebral com déficit de atenção.
O terceiro gritou comigo e disse que meu filho não era autista. Depois de muito observar disse ele tinha traços autista, mas não era autista.



Até que encontrei dois anjos. Dr° Adailton Pontes e Mônica Acciolly.
Tenho certeza de que minha história é muito comum a de muitas outras mães que peregrinan até encontrar a verdade.

Com relação a seu vocabulário ele melhorou muito. Não tem mais jargão, nem ecolalia. Faz perguntas e dá respostas. A fala dele está se aproximando ao normal. Não troca letras e na escrita é muito difícil ele errar uma palavra.
Esses dias ele montou um caça-palavras temático. Pegou a régua, marcou os quadrados, escreveu as palavras. UM dos caças era de frutas e o outro dos membros da família.
Essa semana estávamos na sala assistindo a novela quando ele falou:

- mãe, vc sabe o que a tia Juliana disse?
- Não filho.
- ela falou "vc não é lindo, não mexe na mochila que vai quebrar. Ei ele vem aqui..."
- Nossa filho ela falou isso tudo.
- Nossa mãe suas pernas são bem pesadas. As mais pesadas que eu já vi na minha vida. - virou-se pra minha amiga - oh tia Patrícia, vc sabe o que a tia Juliana disse?

Ah tem coisas que ele entende ao pé da letra. Ele estava no computador na escola e estava em pé pulando. A professora disse:

- Ei Breno, por acaso tem espinho na cadeira?
Ele olhou para a cadeira e respondeu: "Não" e sentou.

Vimos um gatinho na rua e ele falou:
- mãe eu sou um gatinho.
- é meu filho mas vc é um gato gente e aquele é um gato animal. Quando alguém te chama de gato ela quer dizer que vc é lindo.
- é o breno é um gatinho
- è a mesma coisa que o breno é lindo.








quinta-feira, 1 de abril de 2010

Quebra-cabeça gigante de Yoko Ono

Quebra-cabeça gigante de Yoko Ono vai a leilão por conscientização do autismo
Viúva de John Lennon mostrou em público um mural de nuvens no céu.Obra será leiloada em 67 pedaços, formando um quebra-cabeça gigante.
Da Reuters


Yoko Ono, a viúva de John Lennon, mostrou em público um mural de nuvens no céu que vai ser leiloado em 67 pedaços, formando um quebra-cabeças, para levantar fundos e marcar o segundo Dia Mundial de Conscientização do Autismo.

A artista e música japonesa, de 76 anos, criou o mural "Promise", de dois metros de altura, de materiais acrílicos. Cada um dos 67 pedaços será leiloado pelo site www.charitybuzz.com/yoko, com lances começando em US$ 1.000.

"Quando fui procurada para que criasse uma obra de arte para a conscientização do autismo, fiquei chocada com a incidência mundial dessa condição grave, especialmente entre nossas crianças", disse Ono no lançamento do leilão, na sede das Nações Unidas.

"Meu trabalho, 'Promises', simboliza o fato de que cada um de nós detém uma peça desse quebra-cabeças e que precisamos aumentar a conscientização, levantar verbas para pesquisas e advogar a causa das famílias que convivem com o autismo", disse ela, acrescentando que as 67 pessoas simbolizam os 67 milhões de autistas no mundo.

Mais de 100 eventos estão sendo realizados em 35 países nesta quinta-feira (2) para lembrar o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, que é uma de três condições apenas a ser reconhecida pela ONU com um dia dedicado a ela. As outras duas são a Aids e o diabetes.

fonte: http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1070839-7084,00-QUEBRACABECA+GIGANTE+DE+YOKO+ONO+VAI+A+LEILAO+POR+CONSCIENTIZACAO+DO+AUTISM.html